LARINGE

A laringe é uma parte das vias aéreas permitindo que o ar entre na traqueia e chegue até os pulmões.
É composta por uma série de cartilagens e músculos revestidos por uma membrana mucosa. As cartilagens tem a função de abrir as vias aéreas para a passagem do ar. Uma das cartilagens da laringe mais destacadas se encontra no pescoço do homem e é conhecida como “Pomo de Adão”.
No interior da laringe estão os músculos e membranas que formam as cordas vocais. Estas estruturas apresentam um movimento de extensão e relaxamento que modificam o orifício existente entre elas conhecida como glote. A regulação da passagem de ar ao falar é que produz a voz. O tom da voz depende do diâmetro e da forma da laringe. Em mulheres e pessoas com voz mais aguda o alcance costuma ser mais estreito, enquanto que as pessoas com um tom de voz mais baixo costumam ser maior.
A laringe tem a importante função de promover a passagem de ar. Durante a deglutição, uma de suas cartilagens conhecida como epiglote e que se localiza atrás da língua direciona os alimentos para o esôfago que se encontra atrás da laringe e da traqueia.
A laringite é uma inflamação infecciosa ou não que afeta as cordas vocais e produz tosse, pigarro, rouquidão, dor e expectoração. Em casos graves pode ocorrer a afonia, que é perda total da voz. Uma causa frequente da laringite é o refluxo faringolaríngeo e o refluxo gastroesofágico. Essa condição ocorre devido ao retorno de material que do estômago para a faringe e para a laringe, irritando assim as cordas vocais. Em tabagistas, essas estruturas podem desenvolver alguns tipos de tumores como o câncer de laringe.

 

Laringites
É a inflamação da laringite que pode ser causada por vírus, bactérias ou fungos, além das formas crônicas secundárias a agentes químicos, físicos dentre outros. As comuns são as virais. As queixas mais freqüentes são rouquidão, dor de garganta, tosse, febre, dificuldade para deglutir ou respirar. As laringites bacterianas geralmente são evoluções das laringites virais ou infecções das vias áreas inferiores. A infecção fúngica está freqüentemente ligada à baixa de imunidade geral ou local e podem ser vistas nos pacientes em tratamento de asma brônquica com uso de corticóides inalados. O refluxo gastroesofágico leva inicialmente a uma laringite química que tende a durar longo período. Os pacientes podem reclamar de rouquidão, tosse, “pigarro” e sensação de bola “presa” na garganta.

Nódulos Vocais
Comuns em mulheres, crianças e profissionais da voz, como professores, cantores, locutores, religiosos, entre outros.
Devem-se geralmente ao trauma local decorrente do uso inadequado da voz. Os nódulos vocais são caracteristicamente presentes em ambas pregas vocais, com aspecto simétrico.  

Quanto maiores os nódulos vocais, maior será o espaço entre as pregas vocais ao se tocarem durante a fonação, são as chamadas fendas glóticas e quanto maior a fenda, maior o escape de ar, piorando a qualidade vocal. 

São lesões benignas que costumam responder bem a exercícios de fonoterapia. O tratamento cirúrgico pode ser indicado em casos específicos.

Pólipos Vocais 
Os pólipos das pregas vocais são lesões benignas, geralmente secundárias a processos inflamatórios, trauma local por uso inadequado da voz, tabagismo, refluxo gastroesofágico e como conseqüência de lesões pré-existentes na prega vocal. 

Podem ter aspecto pequeno, grande, largos ou pediculados, transparentes, gelatinosos ou hemorrágicos, acometendo uma ou as duas pregas vocais, geralmente assimétricos. O impacto na voz é muito variável, porém sempre maior que nos nódulos vocais. A maioria dos casos requer tratamento cirúrgico associado a fonoterapia. 

Edema de Reinke
Lesão de aspecto gelatinoso difuso, ocupa todo espaço de Reink da prega vocal e que geralmente acomete os dois lados. É mais comum em mulheres de meia idade e tabagistas. A voz fica mais grave e pode chegar a causar dificuldade para respirar em casos mais avançados com dimensões grandes.

Cistos Intra-Cordais e Sulcos Vocais
São lesões das pregas vocais que, junto com outras três lesões, o micro-diafragma de comissura anterior, as vasculodisgenesias e a ponte de mucosa, são classificadas como alterações estruturais mínimas. 

São lesões congênitas, que apresentam como principal manifestação clínica o grande comprometimento da voz e isso se deve ao fato de se localizarem nas camadas mais profundas das pregas vocais, região muito importante para a produção da voz. O tratamento microcirúrgico é o indicado na maior parte dos casos. 
Os cistos podem ser abertos ou fechados e os sulcos se apresentam em formas também diferentes, decorrente dos graus da penetração do sulco para o interior das pregas vocais. 

Os pseudocistos da prega vocal se localizam na camada mais superficial (epitelial) das pregas vocais, sendo esse um dado importante para os diferenciar dos verdadeiros. 

Leucoplasias
As leucoplasias são lesões brancas, espessas, vistas na superfície das pregas vocais, embora possa acometer toda mucosa das vias respiratórias superiores, decorrentes de irritação crônica, continuada e intensa. São consideradas lesões pré-malignas devendo ser monitorizadas e removidas em casos específicos, sob o risco de evoluir para o câncer de laringe.

Paralisias
A laringe recebe inervações motora e sensitiva. O acometimento dessa inervação em situações específicas, como trauma cirúrgico, principalmente da glândula tireóide, em infecções virais, em tumores, dentre outras, pode levar à paralisia da laringe.

Antes de se iniciar qualquer terapia, é importante que se procure causas específicas para a paralisia e estas causas podem estar no cérebro, no tronco encefálico, na região cervical ou até mesmo no tórax. 

O tratamento vai variar conforme o do tipo da paralisia, uni ou bilateral, bem como a posição da prega vocal paralisada, podendo ser indicado: fonoterapia, cirurgias endoscópicas e ainda cirurgias no pescoço chamadas tireoplastias, que visam a reposicionar  a prega vocal paralisada na linha média, assim restaurando a qualidade vocal.

Papilomatose da Laringe
Embora possa ocorrer em qualquer faixa etária, ela é mais freqüente em crianças. Por isso se fala em duas formas clínicas: a papilomatose juvenil, via de regra mais grave e a papilomatose do adulto. 

A papilomatose é uma lesão benigna, causada pelo vírus do grupo do HPV, podendo ser adquirida na hora do parto, através do sangue, bem como através de relações sexuais, ou ainda ser transmitida por via placentária da mãe para a criança. Localiza-se na mucosa da laringe, formando lesões descritas como cachos de uva.
É o tumor benigno mais comum na laringe, causa alteração progressiva da voz, chegando a afonia (perda total da voz) e obstrução respiratória nos casos mais graves. O tratamento é complexo e envolve cirurgia.

Neoplasias
Os tumores malignos da laringe são comuns e têm como principais causas o tabagismo e o consumo de álcool. A sua detecção em estágios iniciais permite a cura. Mais de 90% das neoplasias de laringe são representadas pelo carcinoma espinocelular. As queixas mais comuns desses pacientes são voz rouca e dor no ouvido. Com a progressão da doença ocorre dificuldade para respirar. 

Quanto maiores as lesões, maior a probabilidade de se precisar de cirurgias abertas a fim de se retirar parcial ou totalmente a laringe. Nos casos de laringectomia total, a possibilidade de desenvolvimento por meio de treinamento fonoterápico de voz esofágica ou a implantação de válvula fonatória permitem a recuperação da fonação, geralmente com seqüelas. 

Fonoterapia
A participação do fonoaudiólogo no tratamento das doenças da laringe é de fundamental importância. Via de regra, este profissional participará no atendimento dos problemas de voz, tanto no tratamento quanto na prevenção dos problemas vocais. Destaca-se ainda sua importância na orientação de exercícios de reabilitação no pós-operatório de cirurgias da laringe.

Um novo campo que surgiu atualmente é o trabalho de estética vocal, muito indicada como no preparo de profissionais da voz para melhor resultado e desempenho de suas funções.

As técnicas e a duração do tratamento são individuais dependendo das necessidades de cada paciente.